Trajetória das mulheres no Judiciário é tema de mostra no Museu do tribunal catarinense

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Foto: Ascom TJSC
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A mostra “Mulheres no Judiciário” pode ser visitada no Museu Desembargador Tycho Brahe Fernandes, na sede do TJSC, até 31 de março. A coleção reúne documentos e imagens que retratam a trajetória das mulheres na Justiça catarinense e seu papel na construção da história da instituição. Um clipe de fotos revela como o número de magistradas e servidoras cresceu, refletindo um constante processo de conquista de espaço e liderança.

Entre os documentos, os visitantes podem conferir o registro da posse de Nair Caldeira, uma das primeiras funcionárias do TJSC, na época denominado Superior Tribunal de Justiça (STJ). Seu termo de promessa está na página 106 do Livro de Termos e Promessas de 1924, um dos raros documentos assinados por mulheres. Está lá:

“Por minha honra e pela Pátria, prometo solenemente preencher com toda a exatidão e escrúpulos os deveres inerentes ao cargo de auxiliar da Secretaria do Superior Tribunal, envidando nesse empenho quanto em mim couber a bem do Estado e dos meus concidadãos.”

Na década de 1920, quando Nair tomou posse, Florianópolis vivia um período de intensas transformações urbanísticas: a criação de avenidas, a construção da penitenciária estadual e, a mais icônica delas, a edificação da Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 1926.

“Isso representou o início de uma profunda transformação cultural na capital catarinense. A ponte favoreceu uma maior circulação de pessoas, de revistas, de jornais e, especialmente, de ideias”, explica Jaqueline dos Santos Amaral, historiadora da Seção de Museu.

Mesmo nesse cenário de modernização, poucas mulheres escolhiam – ou tinham a oportunidade – de exercer atividades profissionais fora de casa. O papel feminino ainda era restrito ao ambiente doméstico e às responsabilidades ligadas à manutenção do lar. “Esses documentos comprovam a bravura das mulheres e são fontes de inspiração e reflexão”, completa Jaqueline.

Fonte: TJSC