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Ação ocorre há 4 meses no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Divulgação/TJAP)
Ação ocorre há 4 meses no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Divulgação/TJAP)

Em continuidade ao projeto Constelação no Cárcere, a consteladora familiar Marilise Einsfeldt esteve na ala feminina do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) para realizar a 5ª etapa da oficina com as internas, no dia 26. Esse trabalho é mais uma frente de ação do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça do Amapá (Nupemec/TJAP).

Há quatro meses o trabalho no Iapen foi iniciado e a consteladora Marilise Einsfeldt, que vem ao Amapá para ministrar o curso de Constelações Familiares para o Poder Judiciário, aproveita para fazer essa atividade com as detentas voluntariamente. “Esse é um lugar de grande rotatividade, sempre há uma parte saindo e outra chegando, por isso não há como manter o mesmo grupo por tempo prolongado. Mesmo assim, é muito bom observar que há mulheres participando desde a primeira oficina”, celebrou a desembargadora Sueli Pini, coordenadora do Nupemec, que acompanha de perto cada oficina.
“A Constelação Familiar funciona, posso constatar isso. Estamos realizando no IAPEN e nas instituições de internação masculina e feminina para adolescentes em conflito com a Lei. A Marilise chama as pessoas à responsabilidade por meio das oficinas”, declarou a magistrada. Segundo ela, o trabalho terá continuidade, de forma mais estruturada, a partir de 2019. Para isso o Nupemec está elaborando um projeto para ser apresentado ao Fundo de Apoio aos Juizados da Infância e Juventude (Fajij) e ao fundo administrado pela Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (Vepma).
Sônia Ribeiro, instrutora do Nupemec, é quem acompanha cada passo do trabalho desenvolvido no Iapen. “Fizemos um cronograma de atividades com esse grupo, que tem em média 20 internas. Começamos com uma abordagem de convencimento porque a adesão delas é voluntária. Começamos pela ala feminina, porque é a mulher que é geradora da vida e que tem esse olhar mais sensível para a família”, explicou Sônia.
O trabalho está sendo feito de forma paralela com agentes e educadores penitenciários. De acordo com Sônia Ribeiro, “esses segmentos também vivenciam o conflito do cárcere e, para que se possa buscar soluções para que essa convivência seja mais humanizada, há a necessidade de que todos os profissionais que atuam no sistema passem pela capacitação”. Após a realização das oficinas, serão produzidos relatórios que irão subsidiar o projeto de 2019.
Temas como abandono, dificuldade de relacionamento com os pais, entrega de filhos para terceiros cuidarem, infidelidade conjugal, envolvimento em crimes são temas recorrentes nas oficinas. “Percebemos que há uma ânsia de expressar seus sentimentos e buscar os reais motivos que as trouxeram para o cárcere. A partir do momento que elas compreenderem os limites dos conflitos nos quais se envolveram, será mais fácil encontrarem um novo caminho quando saírem da prisão”, assegurou Sônia.
De acordo com a instrutora essa abordagem também auxilia o corpo técnico que faz o trabalho de acompanhamento psicológico e de reeducação com as internas. “A Constelação faz um exercício na alma das pessoas e isso ajuda muito a equipe multidisciplinar, pois vai encontrar uma pessoa com maior entendimento de si mesma, com mais resiliência e mais paciência”, enfatizou Sônia.
A cada prática de duas horas é trabalhado um tema, com base na abordagem sobre as leis da vida, do filósofo alemão Bert Hellinger. São realizados exercícios sistêmicos e constelações de casos.
Gisele Cardoso, interna no IAPEN, participa das oficinas desde o início. “A gente abre mais a mente sobre a relação familiar e sobre o quanto a nossa liberdade é valorosa. Hoje vemos que muitas coisas que fazíamos lá fora, sem pensar, nos trouxeram para cá. A constelação nos traz reflexões para toda a vida”, declarou.
A interna disse também que gostou muito de ter participado até o momento e que não quer perder nenhuma oficina. “Para mim está sendo gratificante, me favoreceu muito em relação aos meus filhos, minha mãe e meu esposo”, declarou. Segundo ela, após as oficinas, as participantes costumam conversar com as demais detentas, estimulando sua participação nas próximas oficinas. “A gente leva para dentro do alojamento o quanto é bom ter oportunidade de ter conhecimento de muitas coisas que não sabíamos”, exemplificou.
Em uma das oportunidades, a equipe do Nupemec convidou familiares das participantes para integrarem a oficinas. Para Gisele, essa foi uma experiência muito especial. “Veio a minha mãe e foi um dia maravilhoso, quando pude abraçá-la e beijá-la, sentindo mais de perto o amor de mãe para filha e de filha para mãe. Aqui aprendi a ter mais carinho por ela, que ela é de grande importância na minha vida”, disse a interna.
Para o futuro, Gisele só pensa em sair e mudar de vida. “Quero ter uma vida diferente. O erro que cometi lá atrás, não quero mais cometer. Aqui é uma escola, a gente aprende ou se afunda. Eu aprendi e vou trabalhar para dar o melhor para minha família e fazer uma faculdade de Pedagogia”, finalizou.
Desde 2012 atuando como Educadora Penitenciária, Francilene Lopes acompanha a experiência de Constelação no Cárcere desde o início. “Algumas se identificaram muito, afinal é um momento para elas vivenciarem situações que não costumam viver no cotidiano”, disse. A educadora relatou que uma das detentas dispensou um curso de maquiagem, que ocorreria no mesmo horário, para participar da Constelação. “Ela disse que largaria qualquer coisa para vir, porque consegue se enxergar na Constelação. Conheci a Constelação aqui dentro e também consigo me enxergar, por isso estou sempre participando”, declarou Francilene.
Bruna Maria Souza é Agente Penitenciária e acompanha as oficinas. “A gente vê que as internas se emocionam quando participam da Constelação. Creio que elas revivem um sentimento familiar que deixaram para trás ou que nem chegaram a vivenciar”, informou. “A agente percebeu que a Constelação revela que muitas internas sentem a ausência dos pais em suas vidas desde a infância. A Constelação traz de volta essa percepção de família para elas”, enfatizou.
“A Constelação muda a nossa relação com as internas porque passamos a ver mais de perto os problemas delas. Em muitos momentos elas buscam em nós aconselhamentos e isso nos sensibiliza. É possível observar uma mudança de visão sobre suas próprias responsabilidades, quando elas param de culpar terceiros pelos seus atos e compreendem que são elas próprias as responsáveis”, concluiu Bruna.
A diretora da Penitenciária Feminina, Elisângela Gomes, parceira do Nupemec no projeto Constelação no Cárcere, diz que essas oficinas “têm sido fundamentais para melhorar as relações interpessoais dentro do Iapen. Essa mudança pode ser observada entre as internas e delas com o corpo técnico. “A gente sente nas internas uma melhora significativa de comportamento. Elas tendem, cada vez mais, a participarem das oficinas. Hoje temos um número bem maior do que no começo”, informou.
Acompanhando a oficina, como convidada e observadora, a advogada Karina Guerra disse que “a finalidade é ajudar com que as pessoas entendam melhor as razões pelas quais estão no cárcere, e vivam melhor esse período”. Para a operadora do Direito, “essa busca tem utilidade para qualquer pessoa que apresente qualquer tipo de conflito, e queira encontrar as razões e a solução para ele”, definiu Karina.

Fonte: TJAP


Tópicos: sistema carcerário e execução penal,mulheres presas,Mediação e Conciliação,Solução de conflitos,Conciliação e mediação

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